MEDULA ÓSSEA: SÃO APENAS 4 ML
10/08/2017 - 18h03 em Novidades

Cadastro é feito uma única vez mas precisa de atualização, caso haja mudança. Compatibilidade é rara, mas quando ocorre, pode significar a última chance para alguém

 

 

 

Como dizem para as crianças que vão coletar sangue: “dói, mas é como se fosse uma picadinha de formiga”. E é assim mesmo. Fazer parte do cadastro nacional de doadores de medula óssea é simples, praticamente indolor e gratificante. Funciona assim: quem tem interesse, pode procurar o Banco de Sangue de sua cidade e mostrar a vontade de ajudar. Na unidade, apenas 4 ml de sangue serão coletados. Para efeito de comparação, uma rotina de exames, por exemplo, exige do paciente a doação de 8 ml. Quatro ml, portanto, é pouca coisa para quem doa, mas os dados contidos naquele frasquinho de sangue, podem significar vida, uma segunda – ou última – chance para quem precisa.

O Brasil é dono do terceiro maior cadastro de doadores do mundo. E União da Vitória, terrinha brasileira, ajuda neste ranking. Na cidade, o Banco de Sangue recebe os voluntários neste cadastro. São, aproximadamente, 50 novos cadastros feitos por mês. O “acervo” é de mais de dez mil nomes, em média. Mas, sabe o ditado de que quanto mais melhor? Pois é. No caso da doação de medula, isso cai como luva. É que a compatibilidade é muito rara, logo, quanto mais doadores houverem, maior a chance de combinações e de finais felizes. “É uma em cem mil para uma medula normal. Uma em um milhão para uma medula mais rara”, enfatiza a enfermeira do Banco de Sangue, Daiane Rodrigues.

Embora o cadastro de quem tem interesse em ser doador de medula óssea seja feito apenas uma única vez, as atualizações não. Sempre que houver mudança – de endereço, de telefone – é preciso voltar ao Banco de Sangue ou fazer isso sozinho, no site do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Recentemente, reportagens nacionais mostraram que por muito pouco, alguns pacientes quase perderam o transplante por não conseguir contatar o doador compatível. “Isso é o principal. Toda vez que tiver mudanças, é preciso alterar as informações. Não basta preencher o cadastro. A coleta da amostra que é feita uma vez só, mas os dados precisam ser atualizados. A chance que você dá para a pessoa que vai receber, pode ser a última. E se fosse comigo? E se fosse com alguém da nossa família?”, reflete a enfermeira.

O procedimento

medulaXosseaX-X1Caso o doador de medula seja compatível com quem está à espera dessa oportunidade, um pequeno procedimento hospitalar será necessário. Mas, igualmente como o cadastro, ele também é simples e dispensa, inclusive, internamento.

“Existe um mito grande sobre isso. Ou você faz como uma doação de sangue, onde uma máquina seleciona só as células novas e a outra é a pulsão no osso. Não é na coluna. É no osso da bacia. Faz uma pulsão com agulha, tira as células novas e vai ser tratado naquele que precisa receber. A pessoa faz o procedimento e vai embora”, conta Daiane. Quem recebe a medula terá a tipagem sanguínea da pessoa de quem a doou. “Isso é muito especial”, completa.

O cadastro

Não precisa, necessariamente doar sangue e após isso fazer o cadastro. Embora isso também seja possível, quem tem interesse em ser um doador de medula pode procurar a unidade em qualquer dia da semana, em qualquer horário do expediente. Lá, os 4 ml serão coletados, de maneira bem breve. Junto com o sangue, o interessado vai fornecer alguns dados pessoais, de endereçamento e de contatos.

Tudo isso vai para o banco nacional que, além do Brasil, está interligado com outros 140 países. O cadastro é feito uma vez só. Ele vale até que a pessoa tenha 60 anos. Para iniciar o processo, o interessado precisa ter entre 18 e 54 anos, e boa saúde.  Ai, é só torcer para, em algum momento da vida, ser chamado para ajudar. “O importante é que todas as pessoas que venham, não tenham medo de doar mais tarde. Se a pessoa for chamada, dar esperança para outra e não quiser doar, é melhor nem cadastrar”, lembra a enfermeira.

Sábado e expediente

O horário de atendimento no Banco de Sangue de União sofreu algumas alterações. A coleta acontece todos os dias – menos nas quartas – das 13 às 16h30. Outra novidade é sobre o agendamento. Antes ele só acontecia para grupos maiores. Agora, ele também é individual. “Basta ligar e a gente agenda. Isso ajuda que os doadores venham e não fiquem esperando muito tempo”, explica Daiane.

A próxima campanha do sábado especial acontece no dia 3 de setembro. Na tarde, até 40 pessoas podem ser atendidas. Basta ir até o Banco de Sangue com um documento com foto e bem alimentado.

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